
Boneca Princesa de porcelana
Vive com sorriso de pedra,
Frio, igual ao que lhe reflecte a esfera da sua sociedade mundana.
Aparentando doce encanto, esconde a verdade a real tirana.
É sempre igual o seu trono de quente seda.
Espera enquanto não cai o pano que a lucidez lhe veda.
Desejo contido, uma vez mais, para não mostrar
Que mais amargas do que a queda,
Seriam as mãos de mel que a iríam amparar...
Suporta a cruz do passado e do futuro.
Queima-lhe as mãos o toque da palavra pensada no escuro.
O tempo foge-lhe, volteando nas baças colunas,
Reino amaldiçoado... serves a tua princesa de sorte infortuna...
É sempre igual o seu trono...
Mais uma vez esta boneca (marioneta, boneco de papel) se prostra,
Deixando-se mergulhar na beleza fria do seu infortúnio...